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Cleuza PimentaporCleuza Pimenta

Gestão de Pessoas: passivo ou ativo nas Organizações?

Stephanie é consultora empresarial e presta consultoria para uma empresa de médio porte. Hoje, após uma reunião gerencial ela foi questionada por um dos gestores da área contábil. Ele olhou bem nos seus olhos e lhe perguntou: O RH é um passivo ou ativo? Esta pergunta lhe incomodou. Como assim? Será que não está claro para todos, que o capital humano é o diferencial competitivo das organizações? Depois de refletir horas e horas sobre a pergunta, Stephanie concluiu: infelizmente essa dúvida permeia a mente de muita gente. Será por incompetência dos gestores de Pessoas, por culpa das Faculdades ou mesmo pela nossa cultura?

Neste caso o mais importante não é procurar a causa ou um culpado e sim, aproveitar a oportunidade do questionamento para esclarecer qual é a verdadeira função da Gestão de Pessoas dentro da organização.

Capital Intelectual

 

As pessoas representam o potencial individual e formam o capital intelectual das organizações. Isso é fato. Mas, Gestão de Pessoas é uma área que executa uma atividade meio (aquela que não gera fonte de receitas).  Talvez por isso muita gente ainda veja o RH como um “passivo.” Outro fator dificultador do RH é não gerenciar as áreas que influencia, já que é um órgão de linha com função de staff, ou seja, tem o papel de assessorar os demais setores. Esta função, embora seja muito relevante, às vezes é mal compreendida pelas demais gerências. Demonstra também certa dificuldade de mensurar a área em valores financeiros, de trabalhar com métrica.

Percebe-se ainda a imprecisão do perfil adequado para o cargo de gestor da área. Afinal, quem pode ser o gestor de pessoas? Qual a sua formação? Quais são as suas habilidades e competências? Não existe um perfil definido. Em principio, todos são candidatos em potencial, já que as organizações necessitam cada vez mais de profissionais com competências financeiras, analíticas, de Marketing e de gestão de riscos para medir o impacto do capital humano nas empresas e para atrair e reter os melhores profissionais. Hoje, o gestor de Pessoas necessita trabalhar com métricas e dados. Como a área é muito intangível, esses instrumentos são importantes aliados para orientar o desempenho do negócio, diante de estratégicas complexas, como identificar o candidato certo para o cargo, mensurar com precisão a avaliação de desempenho etc.

Momento de Renovação

Apesar de problemas históricos, é inegável que a Gestão de Pessoas passa por um extraordinário momento de renovação.

Diante disso, Stephanie se perguntou: então, como tornar a área de Gestão de Pessoas conhecida e valorizada como um “ATIVO”? Claro, respondeu para si mesma. Basta lembrar-se da música do Geraldo Vandré – Pra não dizer que não falei das Flores:  – “…Vem vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora não espera acontecer…”

Isso significa que temos de Ser e Demonstrar que Gestão de Pessoas  é uma área estratégica. Que necessita conhecer bem os processos e o mercado, atuando de forma mais criativa, inovadora e moderna. Ter uma visão macro, alinhada aos objetivos, aos processos, as políticas, as estratégias e cultura organizacional, sem perder de vista os detalhes. Ainda, saber compartilhar a missão, visão e os valores da empresa, cuidando do negócio por meio das pessoas e alcançar os resultados com sustentabilidade financeira e social. Caso contrário, correrá o risco de cair no RH operacional.

O gestor de pessoas entre outras atividades tem o desafio de promover a interface com toda a organização, exercer as funções gerenciais, de liderança, de coaching e muito mais, como: criar o engajamento entre os colaboradores, gerar competências e capital intelectual. Este último pode ser definido como a inteligência, o conhecimento, habilidade e experiências. Além é claro, saber gerenciar o conhecimento existente.  Ressaltamos que as organizações possuem dois tipos de conhecimentos: o explícito – aquele que pode ser escrito e facilmente compartilhado, disponível como informações processadas e armazenadas, apostilas, artigos, livros etc. e o tácito – o conhecimento vivencial. Fruto das experiências de vida. Entretanto, este tipo de conhecimento (tácito) é mais difícil de acessar, de ser registrado, e compartilhado.

“Gestão de Pessoas é um dos principais ativos intangíveis e mais valiosos das organizações”

Neste sentido podemos afirmar que saber gerenciar o conhecimento existente dentro da organização é um diferencial, pois se trata de um ativo intangível, que jamais se tornará commodities.

Portanto, conclui a Stephanie – Gestão de pessoas é um dos principais ativos intangíveis e mais valiosos das organizações, pois trabalha com gente. Quanto mais à empresa investir na estratégia, na inovação, na gestão do conhecimento, no treinamento e desenvolvimento dos colaboradores maior será a rentabilidade, a competitividade e sustentabilidade do empreendimento.

E para você, Gestão de Pessoas é um passivo ou ativo nas Organizações?

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Marco Antonio PereiraporMarco Antonio Pereira

Relacionamento com Fornecedor. O impacto da mudança de regras no caixa de sua empresa

Desenvolvemos um estudo de caso, aplicado em três Empresas, com ciclos financeiros: baixo, médio e alto, bem como medimos os impactos que a redução de 5 dias, no prazo de pagamento, promoverá no aumento da necessidade de capital de giro, e o impacto financeiro decorrente da necessidade de financiamento.

Antes, há necessidade de repassarmos alguns conceitos:

  • A Necessidade de Capital de Giro (NCG) pode ser apresentada em quantidade de dias para os três principais componentes das atividades operacionais: estoques, contas a receber e fornecedores, onde: Estoque é PME = Prazo médio dos estoques Contas a Receber é PMR = Prazo médio de recebimentos Fornecedores é PMP = Prazo médio de fornecedores Ciclo Financeiro = PME + PMR – PMP;
  • O Ciclo Financeiro (NCG em dias) determina o Giro de Caixa que, por sua vez, aponta o número de vezes que o caixa se renova, ou seja, os valores entram e saem do caixa em razão dos recebimentos e pagamentos;
  • O Giro de Caixa resulta do giro dos recursos aplicados pela empresa, em estoques e contas a receber, e as dívidas operacionais com fornecedores, tendo, como objetivo, o estabelecimento de condições “ideais” na rotação desses recursos, maximizando os lucros, a geração de caixa e diminuindo a NCG. Selecionamos três empresas, com portes diferentes, para demonstrarmos os efeitos na NCG, promovidos pela alteração do prazo de pagamento antecipado em 5 dias.

1. Situação Original

Demonstramos, a seguir, a situação inicial de Capital de Giro, em dias, apontada para o mês de agosto, com os prazos contratados de pagamento de floor plan sem a redução de 5 dias.

2. Situação com redução de 5 dias
Esta situação apresenta a redução de 5 dias nos prazos contratados de pagamento de floor plan e os respectivos efeitos.

3. Análise do Resultado

O aumento de 5 dias promoveu um crescimento da NCG nas três Empresas, resultando na necessidade de capitação que, estimando um custo financeiro de 11,76%, acumulado no período de janeiro e agosto, promoveu uma Ineficiência Financeira de:

Dinheiro perdido!!!

A alteração nos prazos promove o enfraquecimento do caixa e, por sua vez, demandará estratégias que possam mitigar os efeitos, tais como:

A) Proceder estudo imediato dos níveis de estoques dentro da curva ABC, abrangendo estoques de outros itens;

B) Readequar as compras priorizando produtos que promovam melhor giro e em níveis compatíveis com o novo pulmão financeiro da Empresa, tentando sempre não promover o desabastecimento;

C) Iniciar um processo de vigília da política de crédito concedida a clientes, de maneira a evitar o crescimento do prazo para recebimento, e nesse mesmo sentido, investigar, permanentemente, o agin list do “contas a receber” de clientes, em especial, seguradoras, vendas com cheque pré-datados, vendas com cartões de crédito e “contas a receber” da fábrica;

D) Por fim, o mais difícil, aportar capital para cobrir o aumento da necessidade de capital de giro com recursos próprios dos sócios, evitando o endividamento bancário.

Como pode ser visto, a redução dos prazos pactuados tem impacto imediato no fluxo de caixa da Concessionária, aumentando a possibilidade de endividamento com consequente pagamento de juros, reduzindo os lucros do negócio.

Como dito no artigo “Gestão da Concessionária com Fluxo de Caixa do Acionista” publicado na revista UNA nº 152/ ano 30 – 2017, é visível que a principal razão da existência das organizações modernas é a sua capacidade de gerar de fluxo de caixa continuamente.

Aproveite esse momento para refletir sobre suas próximas decisões e estratégias.

Marco Antonio PereiraporMarco Antonio Pereira

Repense o momento: Gestão de Empresas com Fluxo de Caixa do Acionista

Esse artigo foi construído com o objetivo de ampliar os conhecimentos inserindo um novo ambiente de gestão. É chegada a hora de reinventar e fundamentalmente, voltar as atenções para dentro da empresa, preocupando com a proteção do negócio e com a geração de caixa e lucro.

Administrar uma empresa no momento econômico e político atual, é de fato um desafio que demanda um árduo esforço tendo em vista alguns fatores, como, taxas de juros elevadas, restrições de crédito, retração do mercado, do nível das atividades e relação com fornecedores.

Momentos como esse requerem a adoção de técnicas de gestão que contenham modelos que articulem visão econômica e financeira numa leitura fácil e eficaz dos resultados, concentrando esforços, visando a geração de caixa, implicando em aumento de liquidez, gestão do capital de giro e investimentos.

O grande desafio está em conciliar os resultados das operações de vendas e seus respectivos lucros com a gestão da necessidade de capital de giro, principalmente contas a receber de clientes e estoques e das fontes de recursos, principalmente fornecedores.

Adotar uma gestão empresarial criativa é o primeiro passo a ser dado, contar com o apoio de uma contabilidade inteligente, participativa, comprometida com o empresário e capaz de orientar na busca de soluções, é o que fará a diferença. Acreditar que somente com criatividade, inovação e conhecimento a superação será alcançada.

É importante encontrar respostas para perguntas do tipo: Sua empresa tem informações sobre qual é a necessidade de capital de giro? Qual o caixa disponível para cobrir a necessidade de capital de giro, realizar investimentos e liquidar dívidas bancárias? Sua empresa apresenta geração de caixa próprio? E por fim, sua empresa cria Valor?

A gestão financeira não é uma responsabilidade exclusiva da gerência financeira, ela envolve a empresa como um todo. É um processo abrangente, que sofre impactos das ações tomadas nos demais departamentos da empresa.

O fluxo de caixa é o instrumento de projeção que possibilita aos gestores determinar as necessidades financeiras a curto e longo prazos, permitindo, conhecer de forma clara a época em que irão ocorrer as entradas e as saídas de caixa. Consiste na representação dinâmica da situação financeira, considerando todas as fontes de recursos e todas as aplicações em itens do ativo.

O principal objetivo do fluxo de caixa é dar uma visão das atividades desenvolvidas, bem como as operações financeiras que são realizadas diariamente, no grupo do ativo operacional, dentro das disponibilidades, e que representam o grau de liquidez da organização. Visa prognosticar a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa nas operações mais rentáveis para a empresa.

Os três níveis de fluxos de caixa que precisam ser gerenciados são:

A) Fluxo de Caixa Operacional

São as entradas e saídas diretamente relacionadas à venda de produtos ou serviços. Esse fluxo parte do resultado, seja ele lucro ou prejuízo e da variação das transações das contas operacionais de estoques, contas a receber, fornecedores. Pode ser considerado o mais importante fluxo de caixa a ser gerado, pois retrata a Geração Própria de Caixa. Quando maior for a geração própria de caixa, menor será a dependência de financiamentos bancários e a realização de investimentos em ativos imobilizados.

B)Fluxo de Caixa Livre

É o volume de fluxo de caixa disponível para liquidar dívidas bancárias, após a cobertura de todas as necessidades operacionais e o pagamento de investimentos em ativos fixos.

Para obter o fluxo de caixa livre deve-se tomar o fluxo de caixa das operações da empresa, considerando para isso os gastos adicionais com a necessidade de capital de giro em ativos imobilizados e intangíveis.

C) Fluxo de Caixa do Acionista

É o fluxo de caixa disponível para os sócios após o pagamento das necessidades operacionais, de investimentos em ativos imobilizados e do pagamento do valor principal das dívidas financeiras, cujo saldo disponível estaria à disposição dos sócios para distribuição de dividendos ou mantidos na empresa como lucros retidos para a perpetuidade da empresa.

 

A figura abaixo demonstra claramente a abrangência do Fluxo de Caixa do Acionista.

 

Fluxo de Caixa do Acionista

Fonte: Elaborado pelo autor

 

A ferramenta apresentada harmoniza o Balanço Patrimonial, que proporciona uma visão financeira da empresa; a Demonstração de Resultado, que se destina a identificação dos lucros ou prejuízos obtidos, e a Demonstração do Fluxo de Caixa, que objetiva demonstrar como os recursos foram captados e aplicados, bem como a flutuação do caixa disponível entre o início e fim do período. A partir dessas demonstrações financeiras, são extraídas informações que auxiliam os gestores na tomada de decisões. Como por exemplo: volume de receitas com vendas, lucro líquido obtido, gestão do capital de giro (variação da NCG – Necessidade de Capital de Giro), geração própria de recursos através do fluxo de caixa operacional, análise das decisões de investimentos, análise das decisões de financiamentos e fluxo disponíveis para os acionistas por departamento.

De acordo com as demonstrações apresentadas, algumas recomendações ajudarão na obtenção de melhores resultados, tanto de caixa quanto de lucro.

 

A) Fluxo de Caixa do Acionista com Geração Própria de Caixa na Gestão da NCG

  • Gestão dos Estoques
  • Gestão do Contas a Receber
  • Gestão do Contas a Pagar

B) Na Gestão do Resultado

  • Redução de Custos e Despesas de forma racional
  • Atuação nos Custos Invisíveis e Custos Injustos
  • Eliminação de Gargalos
  • Inovação para aumento das Margens

C) Adoção de Orçamento Base Zero

  • Planejamento financeiro e econômico
  • Valores Racionais
  • Controles Austeros
  • Avaliação de Desempenho
  • Fluxo de Caixa DIÁRIO e PROJETADO

D) Priorizar Processos

  • Revisões e Adequações
  • Adoção de Novos Padrões
  • Otimização de Ações
  • Adoção de gestão eficaz que permita identificar a relação entre ganhos e perdas, seus processos e os respectivos custos. Prioridades nas tomadas de ações e decisões, levando em consideração o custo / benefício.

E) Envolver as pessoas

  • Desenvolver as lideranças
  • Trabalhar a prontidão para mudanças
  • Engajamento

 

Diante do exposto nesse artigo, é visível que a principal razão da existência das organizações modernas é a geração de valor para seus investidores, ou seja, a sobrevivência de uma empresa está estritamente relacionada com sua capacidade de gerar riqueza aos seus acionistas, superando suas expectativas e, consequentemente, as taxas remuneradas pelo mercado. Sendo assim, a gestão do fluxo de caixa é de suma importância, tendo em vista que ela oferece as informações de forma tempestiva e que, se trabalhadas de forma apropriada, certamente gerará valor aos acionistas.

 

REFERÊNCIAS

 

ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano Guasti. Curso de administração financeira. 3ª ed. SP, Atlas, 2014

BRASIL, Haroldo Vinagre; BRASIL, Haroldo Guimarães. Gestão Financeira das Empresas – Um Modelo Dinâmico; 4ª ed; Rio de Janeiro, Qualitymark; 2001

FLEURIET, Michael; KEHDY, Ricardo; BLANC Georges. O Modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das empresas brasileiras: um método de análise, orçamento e planejamento financeiro, Rio de Janeiro: Campus, 2003

FLEURET, Michel; ZEIDAN, Rodrigo. O Modelo Dinâmico de Gestão Financeira, Alta Books Editora, 2015

PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação – 2ª ed. SP – Cengage Learning, 2009

 

NOTAS SOBRE O AUTOR:

 

Formação:

  • Mestre em Administração em Finanças pela Fundação Pedro Leopoldo;
  • Pós-graduado em Controladoria pela PUC Minas;
  • Bacharel em Ciências Contábeis.

 Principais atividades profissionais:

  • Sócio Diretor da Consultar Soluções Empresariais;
  • Professor da Fundação Dom Cabral;
  • Professor e Coordenador nos cursos de MBA da PUC Minas;
  • Consultor Financeiro da Abracaf, Grupo Simões (Fabricante Coca-Cola), Fiat Chrysler Automobiles (FCA), CNH Industrial, Magneti Marelli e Iveco;
  • Consultor do Projeto World Class Dealer (WCD) para Rede de Concessionárias Fiat;
  • Atuou como Diretor e Consultor nas empresas: Seven Boys, Camargos Junior S/A Minerações, Laboratório Hermes Pardini, Telemig Celular (VIVO), Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG);
  • Participação em feiras e em negócios internacionais.
Marco Antonio PereiraporMarco Antonio Pereira

Gestão da Dinâmica Financeira – Administrando a Necessidade de Capital de Giro

Gestão é uma palavra simples, contudo, sua prática nas empresas, principalmente nas pequenas organizações, é um tanto quanto complexa. Exige do administrador desenvolver habilidades e competências capazes de auxiliá-lo na elaboração do planejamento e organização empresarial.

Mas nem todos os gestores de pequenos negócios buscam capacitação técnica para exercerem suas funções com maestria. Entre estas estão atividades, como administrar caixa, valores a pagar e a receber, movimentação financeira, aplicação e captação de recursos, análise de projetos, política de lucros e orçamentos.

O alto índice de mortalidade das pequenas empresas no Brasil mostra, de certa forma, as conseqüências dessa defasagem de conhecimento – a maioria não ultrapassa três anos de idade, e as que vão além, chegam sem fôlego ao final, colecionando dívidas com passivos financeiros onerosos que reduzem dia a dia a capacidade de geração de caixa e de pagamento de dívidas.

Mais um indicador da falta de conhecimento técnico está na definição errada de prioridades, relativas à destinação dos resultados e dos recursos financeiros entre os diversos compromissos a serem assumidos. (Veja pirâmides comparativas sobre Hierarquia das Prioridades)

Hierarquia das prioridades

Hierarquia das prioridades

Prioritariamente, os lucros deveriam ser destinados, em primeiro momento, para novos investimentos, que consolidariam seu crescimento futuro; em seguida para pagamentos dos financiamentos necessários às atividades; e, por fim, retirados pelos sócios.           Como resultado da inversão de prioridades nas pequenas empresas está o aumento contínuo da necessidade de capital de giro, exigidos ao financiamento das atividades operacionais.

A dinâmica financeira da empresa está na gestão do ciclo financeiro (CF). Esta é dada através da relação entre os ativos operacionais compostos pelos prazos médios das duplicatas a receber (PMR) mais os prazos médios de estocagem (PME), compensados pelos prazos concedidos pelos fornecedores (PMP).

Ou seja, se a empresa trabalha com prazos médios de estocagem e duplicatas a receber maiores que os prazos concedidos pelos fornecedores, demandará maior financiamento para suas atividades. Neste caso, é desejável buscar financiamento em fontes de recursos de longo prazo, em vez de curto prazo. (Veja quadro Dinâmica Financeira)

 

 

quadro Dinâmica Financeira

quadro Dinâmica Financeira

Quanto maiores os prazos de estocagem e recebimento de duplicatas, e menores forem os prazos de pagamento, maior será a necessidade de capital de giro. Por sua vez, quanto menores os prazos de estocagem e recebimento face aos prazos de pagamento, menor será esta necessidade.
A análise desta afirmativa mostra que, uma vez se encontrando nesta situação, a entidade necessitará de um volume maior de capital de giro a ser financiado. Em princípio, esta posição não significa aperto financeiro, principalmente se a estratégia adotada for de alongar o perfil da dívida, financiando com prazos mais elásticos suas operações.           Entretanto, se os financiamentos forem de curto prazo, o endividamento será elevado e oneroso, comprometendo a saúde financeira. A empresa poderá compensar as perdas com custos financeiros, se as margens de lucro operacionais aplicadas aos preços forem em níveis capazes de recompor o caixa futuro prejudicado pelos encargos das dívidas onerosas contraídas. Vale lembrar que os lucros em referência são aqueles não distribuídos entre os sócios e mantidos para fortalecer as atividades operacionais, se estas tiverem fôlego financeiro.

 

            Trajeto contrário –

 

            É comum encontrar empresas em dificuldades financeiras que, freqüentemente, recorrem a práticas comerciais ainda mais agravantes de sua situação. Por exemplo, ao desejar aumentar suas vendas, dentre outras medidas, apelam para: ampliação dos prazos para seus clientes pagarem suas duplicatas; e/ou pela redução dos preços, com conseqüente redução dos lucros nas operações.
O correto seria reduzir prazos de recebimento e estocagem, ampliando prazos com fornecedores. Assim, conforme mostra o estudo do caso da Empresa Embalagens Divina Ltda. A empresa reduz significativamente seu ciclo financeiro e, conseqüentemente, sua necessidade de capital de giro a ser financiado.
Ao contrário, uma dinâmica financeira desfavorável cria um ciclo vicioso contínuo, com conseqüências crônicas, destruindo assim sua capacidade de pagamento ao longo do tempo.
O enfraquecimento do caixa desencadeia um processo de deteriorização contínuo, avançando em direção a outras áreas da empresa, tais como suprimentos e compras, vendas e marketing e logística e produção.
Como resultado, a empresa terá menos fôlego financeiro, proporcionando desfavorecimento nas negociações de compras e de vendas, uma vez que, em geral, conviverá com freqüentes atrasos nos pagamentos aos fornecedores, o que não favorece negociações futuras. Esta situação implicaria em vendas desfavoráveis, devido à grande necessidade de capital de giro.
Em muitos casos, a solução para questões financeiras está muito perto e fácil de ser encontrada. Contudo, é preciso ao empresário reunir continuamente habilidades e competências técnicas, além do seu conhecimento sobre as atividades operacionais em que atua.

Assim, o sucesso de seu negócio será garantido!

 

Estudo do caso Empresa Embalagens Divina Ltda

 

Consideremos uma situação onde a empresa Embalagens Divina gasta em seu processo produtivo uma média de 25 dias para produzir e entregar seus produtos (PME), concede um prazo de 30 dias para seus clientes pagarem suas duplicatas (PMR) e conta com  um prazo médio de 28 dias para pagamento concedidos pelos seus fornecedores (PMP).

 

Assim temos:

 

Cálculo do ciclo financeiro

 

CF = PME + PMR – PMP

CF = 25 + 30 – 28

CF = 27 dias

Neste exemplo, a empresa apresentaria um ciclo financeiro desfavorável em 27 dias, que representam a  necessidade de capital de giro em dias a ser financiada.

Através da dinâmica dos prazos que compõem o ciclo financeiro pode-se conhecer o giro do caixa (GC), o indicador do caixa mínimo operacional (CMO).

Vejamos:

 

Giro de  =    360  = 13,33 vezes

Caixa             27 (CF)

 

Se o desembolso anual da empresa Divina atingisse o valor de R$ 450.000,00 o caixa mínimo operacional  seria de:

 

CMO =  450.000,00 = R$ 33.758,43

13,33 (GC)

Para um desembolso de R$ 450.000,00 anuais, a empresa demandaria uma necessidade de capital de giro de R$ 33.758,43 para cada período do seu ciclo financeiro.

 

Assim é que, a empresa poderia propor mudanças em suas estratégicas, melhorando sua performance no processo produtivo com o emprego de novas tecnologias operacionais e de logísticas que proporcionassem alcançar uma otimização nestes prazos, que os reduzisse para 20 dias. Simultaneamente em negociações com seus clientes, conseguiria reduzir os prazos de faturamento para 28 dias, da mesma forma em negociações junto aos seus fornecedores, obteria uma ampliação nos prazos para pagamento de mais dois dias, atingindo 30 dias em média.

 

Assim teríamos:

Novo ciclo financeiro

 

CF = PME + PMR – PMP

CF = 20 + 28 – 30

CF = 18 dias

 

Novo Giro de Caixa

 

Giro de  =    360  = 20  vezes

Caixa             18

 

Mantendo o desembolso anual no mesmo nível anterior, teremos:

 

 

CMO =  450.000,00 = R$ 25.000,00

18

 

Observa-se que com esta otimização nos prazos da dinâmica financeira, a empresa conseguiria reduzir sua necessidade de capital de giro de R$ 33.758,43 para R$ 25.000,00 obtendo uma redução de R$ 8.758,43, em cada ciclo financeiro.

Daí concluir-se que, ao reduzir prazos de recebimento e estocagem e ampliando os prazos com fornecedores, a empresa reduz significativamente seu ciclo financeiro e conseqüentemente sua necessidade de capital de giro a ser financiada.

Uma dinâmica financeira desfavorável cria um ciclo vicioso continuo com conseqüências crônicas, destruindo assim sua capacidade de pagamento ao longo do tempo.

O enfraquecimento do caixa desencadeia um processo de deteriorização contínuo avançando em direção a outras áreas da empresa, tais como: suprimentos e compras, vendas e marketing e logística e produção. Como conseqüência, a empresa terá menos fôlego financeiro proporcionando desfavorecimento nas negociações de compras e de vendas, uma vez que em geral conviverá com freqüentes atrasos nos pagamentos aos fornecedores, o que não favorece  negociações futuras. Esta situação implicaria em vendas desfavoráveis em face da grande necessidade de capital de giro, conforme se viu.

Em muitos casos, a solução para questões financeiras está muito perto e fácil de ser encontrada, contudo é preciso que o empresário reúna continuamente habilidades e competências técnicas além do seu conhecimento sobre as atividades operacionais em que atua, garantindo assim o sucesso de seu negócio.

 

Bibliografia:

 

FLEURIET, Michael, Kehdy Ricardo, Blanc Georges, O Modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das empresas brasileiras: um novo método de análise, orçamento e planejamento financeiro, Rio de Janeiro: Campus, 2003

BRASIL. Haroldo Vinagre e Brasil, Haroldo Guimarães, Gestão Financeira das Empresas – Um Modelo Dinâmico; 4ª ed; Rio de Janeiro, Qualitymark; 2001

SANVICENTE, Antônio Zoratto; Administração Financeira; 3ª ed; São Paulo; Ed. Atlas; 1987

MATARAZZO, Dante C.; Análise Financeira de Balanços; 5ª ed; São Paulo; Ed. Atlas; 1998

TELES,  Egberto Lucena. Administração do Fluxo de Caixa Como Forma de Enriquecimento das Demonstrações Contábeis Exigidas por Lei; Revista Brasileira de Contabilidade – Brasília DF, 64-71, jul; 1997

MARION. José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis – Contabilidade Empresarial, 1ª ed; São Paulo; Atlas; 2001

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Perspectiva para 2018 na economia brasileira

Depois de dois anos de forte recessão, a economia brasileira ainda apresenta contradições já que, por um lado, alguns setores se defrontam com quedas expressivas, e de outro lado, outros já iniciaram a recuperação. A inflação apresenta redução, mas em contrapartida, a taxa de juros ainda é elevada. Quanto ao mercado de trabalho, o Brasil registra 14 milhões de desempregados, mas o trabalho formal apresentou dados mais animadores.

Nesse cenário ainda instável, o que podemos esperar da economia brasileira para este ano? PIB, inflação, taxa de juros, como se comportarão nos próximos meses?

Do ponto de vista econômico, a tendência é que o PIB cresça de maneira mais significativa, consolidando a recuperação iniciada em 2017. A inflação deve se manter extremamente dentro do aceitável o que deverá implicar em manutenção da taxa de juros em patamares tão ou mais baixos que os atuais. O mercado de trabalho deve reagir positivamente também, com uma aceleração da recuperação econômica.

O Banco Central do Brasil (BC) divulgou a terceira edição 2018 do Boletim Focus, relatório de mercado publicado semanalmente com as previsões de cerca de 100 (cem) analistas financeiros sobre diversos indicadores da economia brasileira. De acordo com o Boletim Focus, os principais economistas em atuação no país pioraram suas projeções para 2018 sobre o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) e a Produção Industrial. Por outro lado, demonstraram-se um pouco mais otimistas sobre o Valor do Dólar Comercial, a Taxa de Crescimento dos Preços Administrados e a Conta Corrente. Além disso, os analistas consultados mantiveram suas projeções anteriores sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FIPE), o Produto Interno Bruto (PIB), a Dívida Líquida do Setor Público, o Investimento Direto no País, a Balança Comercial e a Meta da Taxa Selic.

 

tabela

Fonte: Boletim Focus do Banco Central – 3. Ed., 2018. Acessado em: https://br.advfn.com/economia/boletim-focus

 

Embora haja indícios claros de recuperação econômica, a equipe econômica do governo ainda tem desafios para vencer em 2018. Com discussões adiadas pelo Congresso e com a decisão do Supremo Tribunal Federal de suspender a protelação dos reajustes ao funcionalismo federal, as medidas de ajuste fiscal representam uma fonte essencial de receitas para o governo fechar as contas e cumprir a meta de déficit primário de R$ 157 bilhões para este ano que se inicia.

Originalmente, o governo pretendia que as medidas resultassem em ajuste de R$ 21,4 bilhões para 2018. Desse total, R$ 14 bilhões viriam do aumento de tributos e R$ 7,4 bilhões, de cortes de gastos obrigatórios. O adiamento das votações para o ano novo e a decisão do STF reduziram o ajuste para R$ 13,6 bilhões na melhor das hipóteses.

 

 

Fontes:

https://janusinvestimentos.com/analise-macroeconomica/perspectiva-2018-na-economia-brasileira/

https://br.advfn.com/economia/boletim-focus

Aprovação de medidas de ajuste é desafio para equipe econômica em 2018

 

 

 

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Retrospectiva 2017: economia registra momentos marcantes e o fim da recessão para o Brasil

Em meio a tantos escândalos e incertezas, o ano de 2017 ainda registrou dados positivos para a economia brasileira, dando sinais de melhora. O ano pode ser visto do ponto de vista econômico sob dois aspectos complementares, mas que ainda não foram concluídos: o fim da recessão e as reformas estruturais que o país tanto precisa.

Ainda que marcado pelo fim da recessão, 2017 também registrou reflexos da crise na economia brasileira com sucessivos cortes de gastos, interrupção de serviços públicos por falta de recursos, aumento de tributos e situação crítica nas contas públicas de alguns Estados. Com o início da retomada a partir do segundo semestre, a inflação e a taxa básica de juros registraram quedas sucessivas, e a criação de emprego chegou a registrar sete altas consecutivas.

Relembre alguns fatos importantes:

Fim da recessão técnica

A recessão que assola o país desde o segundo semestre de 2014 apontou seu fim em 2017. Contudo, a economia real, diferente da apresentada pelos números, ainda sente os efeitos da pior crise recessiva da história do Brasil: desemprego em alta, crescimento muito baixo do PIB e inflação “das compras do dia-dia” em alta. Após um ciclo recessivo, as contratações de trabalhadores são uma das variáveis que mais demoram a se recuperar. O ano de 2017 evidenciou as dificuldades que o mercado de trabalho enfrenta, mas é importante destacar que ainda existem muitos trabalhadores empregados na ilegalidade ou no mercado informal, que não entraram nos números oficiais.

Crescimento do PIB

Após dois anos de queda e ainda com crescimento modesto, o Produto Interno Bruto voltou a crescer em torno de 1%, o que amplia as expectativas para o futuro, mas também evidencia a lenta recuperação da economia.

Controle da Inflação

O ano de 2017 foi marcado por um forte processo de desinflação, que surpreendeu agentes econômicos. A recessão dos últimos anos contribuiu para conter os preços. A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou abaixo de 3%, que é o piso da meta. Desde 1998, não se registrava inflação abaixo deste percentual e depois de três anos com inflação acima de 6%.

Com a contribuição da safra agrícola, os preços dos produtos alimentícios, que respondem por 25% das despesas das famílias, foram decisivos para as seguidas quedas nas taxas de inflação ao longo do ano e encerraram novembro com os custos menores pelo sétimo mês consecutivo. Por outro lado, os preços de gás, gasolina e energia subiram ao longo de 2017, mas têm peso menor ao serem comparados com a queda dos alimentos.

Selic registra mínima histórica

Outro ponto de destaque foi a queda da taxa básica de juros, a Selic, que está diretamente relacionada com os preços mais baixos e expectativas para uma inflação menor. Em 2016, a taxa estava em 14,25%, quando foi iniciado o ciclo de cortes, resultando no alcance de 7% ao ano, em dezembro. Desde a adoção do regime de metas de inflação, em 1999, não se registrava tal taxa. Em dezembro, o Comitê de Política Monetária – Copom sinalizou que pode haver nova redução da Selic em fevereiro de 2018. Segundo o comitê, a continuidade da redução da taxa depende da evolução da atividade econômica e das expectativas de inflação.

Orçamento e meta fiscal

Apesar da perspectiva positiva de crescimento, a demora na recuperação econômica acarretou dificuldades na administração do Orçamento em 2017, chegando a comprometer o funcionamento de serviços públicos. Depois de constatar a incapacidade de cumprimento da meta fiscal, a equipe econômica aumentou tributos, especialmente o PIS/Cofins dos combustíveis. Com algumas medidas, ainda foi possível registrar, em 2017, a recuperação da economia, a alta de impostos e algumas receitas extraordinárias que impactaram na melhora do caixa do governo.

Crédito

O crédito no país registrou o segundo ano seguido de queda, mas com expectativa de retomada em 2018. Em 2017, houve redução do custo dos empréstimos para empresas e famílias, mas as taxas ainda são altas. Os recuos foram influenciados pela redução da taxa básica de juros, a Selic, e da inadimplência.

Mudança na Poupança

Em decorrência da baixa da Selic, a remuneração da poupança alcançou rendimento de 70% da Selic. Isso acontece de acordo com a regra em vigor desde 2012, que define esse percentual de rendimento quando a taxa Selic apresenta resultados igual ou abaixo de 8,5% ao ano. Antes da regra, a remuneração era de 6,27% ao ano. Vale lembrar, que a nova regra só é válida para depósitos feitos a partir de 04 de maio de 2012.

Reforma Trabalhista

2017 ainda foi um ano de sequência em uma série de reformas. O Governo Federal conseguiu aprovar a reforma trabalhista, alterando mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, depois de aprovar a regra do teto de gastos, em 2016.

Privatizações

Outro aspecto de impacto para a economia no Brasil foi o pacote de privatizações. Na tentativa de estimular a economia e obter receitas para ajudar a fechar as contas públicas, o Governo anunciou 57 projetos incluídos no Programa Parcerias de Investimentos – PPI. Fazem parte da lista 14 aeroportos, 11 blocos de linhas de transmissão de energia elétrica, 15 terminais portuários, rodovias e empresas públicas como Casa da Moeda, Companhia Docas do Espírito Santo, Casemg e CeasaMinas. Outra decisão aguardada pelo mercado foi o anúncio da privatização da Eletrobras, com R$ 15 bilhões de projeção do mercado.

Saque do FGTS

Medida provisória que liberou saque de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, gerou alívio financeiro para muitas pessoas e injetou R$ 44 bilhões na economia e beneficiou 25,9 milhões de trabalhadores, segundo o Ministério do Planejamento. O que, consequentemente, gerou contribuição positiva ao PIB.

Aumento do Bitcoin

A criptomoeda, criada em 2008, entrou definitivamente no debate público em 2017. O bitcoin iniciou o ano valendo em torno de US$ 1 mil e chegou perto dos US$ 20 mil em dezembro. Mas, conhecida por ser volátil, a cotação caiu bastante próximo ao fim do ano, US$ 15,6 mil. O mais importante, contudo, talvez não seja o crescimento do bitocoin, mas como as criptomoedas ganharam espaço e se consolidaram em 2017. O bitcoin estreou nas bolsas de futuros nos Estados Unidos e outra criptomoeda, o litecoin, também apresentou valorização significativa nesse ano.

 

Fontes:

https://www.istoedinheiro.com.br/fim-da-recessao-queda-de-juros-e-da-inflacao-marcaram-a-economia-em-2017/

https://janusinvestimentos.com/analise-macroeconomica/perspectiva-2018-na-economia-brasileira/

http://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2017/12/retrospectiva-2017-os-fatos-mais-importantes-para-economia.html

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eSocial – em operação desde 08 de janeiro, em 16 de agosto será obrigatório para micro, pequenas e médias empresas

O eSocial – Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas é um projeto integrante do Sistema de Escrituração Pública Digital (SPED), instituído pelo Decreto nº 8373/2014.

Por meio desse sistema, os empregadores passarão a comunicar ao Governo, de forma unificada, as informações relativas aos trabalhadores, como vínculos, contribuições previdenciárias, folha de pagamento, comunicações de acidente de trabalho, aviso prévio, escriturações fiscais e informações sobre o FGTS. A escrituração e transmissão realizada pelo eSocial substituirá a obrigação das entregas das informações em outros formulários e declarações.

Benefícios:

O sistema unificado vai garantir os direitos previdenciários e trabalhistas dos funcionários, bem como simplificar o cumprimento das obrigações e eliminar a redundância de informações prestadas tanto pelas Pessoas Físicas como Pessoas Jurídicas.

O eSocial trará um grande impacto, porque promete aprimorar a qualidade de informações das relações previdenciárias, tributárias e de trabalho. As micro e pequenas empresas também devem receber um tratamento diferenciado e ainda mais simplificado no futuro.

Existe um prazo?

O prazo para cumprir a primeira etapa começou no dia 08 de janeiro e se estende até o dia 28 de fevereiro. Este será o período em que o sistema receberá apenas as informações cadastrais dos empregadores e as relativas às suas tabelas, como estabelecimentos, rubricas, cargos, etc.

Em março já será possível o envio dos eventos não periódicos. Enquanto isso, será possível fazer os ajustes necessários na qualificação cadastral dos funcionários.

De acordo com o o órgão, não há obrigatoriedade de envio dos dados, necessariamente, nos primeiros dias e a empresa pode fazer os eventuais acertos necessários em seus sistemas internos, bem como se utilizar do ambiente de produção restrita para seus testes, para só depois começar a enviar informações à Base Nacional.

No portal do eSocial, está disponível o “Fale Conosco”, onde serão sanadas as dúvidas sobre o sistema.

Cronograma de Implantação

  • Etapa 1 – Empresas com faturamento anual superior a R$ 78 milhões
    • Fase 1: Janeiro/18 – Apenas informações relativas às empresas, ou seja, cadastros do empregador e tabelas
    • Fase 2: Março/18: Nesta fase, empresas passam a ser obrigadas a enviar informações relativas aos trabalhadores e seus vínculos com as empresas (eventos não periódicos), como admissões, afastamentos e desligamentos
    • Fase 3: Maio/18: Torna-se obrigatório o envio das folhas de pagamento
    • Fase 4: Julho/18: Substituição da GFIP (Guia de Informações à Previdência Social) e compensação cruzada
    • Fase 5: Janeiro/19: Na última fase, deverão ser enviados os dados de segurança e saúde do trabalhador
  • Etapa 2 – Demais empresas privadas, incluindo Simples, Micro Empregadores Individuais (MEIS) e pessoas físicas (que possuam empregados)
    • Fase 1: Julho/18 – Apenas informações relativas às empresas, ou seja, cadastros do empregador e tabelas
    • Fase 2: Set/18: Nesta fase, empresas passam a ser obrigadas a enviar informações relativas aos trabalhadores e seus vínculos com as empresas (eventos não periódicos), como admissões, afastamentos e desligamentos
    • Fase 3: Nov/18: Torna-se obrigatório o envio das folhas de pagamento
    • Fase 4: Janeiro/19: Substituição da GFIP (Guia de Informações à Previdência Social) e compensação cruzada
    • Fase 5: Janeiro/19: Na última fase, deverão ser enviados os dados de segurança e saúde do trabalhador
  • Etapa 3 – Entes Públicos
    • Fase 1: Janeiro/19 – Apenas informações relativas aos órgãos, ou seja, cadastros dos empregadores e tabelas
    • Fase 2: Março/19: Nesta fase, entes passam a ser obrigados a enviar informações relativas aos servidores e seus vínculos com os órgãos (eventos não periódicos) Ex: admissões, afastamentos e desligamentos
    • Fase 3: Maio/19: Torna-se obrigatório o envio das folhas de pagamento
    • Fase 4: Julho/19: Substituição da GFIP (Guia de Informações à Previdência) e compensação cruzada
    • Fase 5: Julho/19: Na última fase, deverão ser enviados os dados de segurança e saúde do trabalhador

Fique atento aos possíveis problemas:

  1. Revitalização de Cadastros: O sistema de validação que recepcionará os arquivos do eSocial vai verificar algumas informações, como: a correlação entre os dados de NIS, CPF, nome dos pais e demais relacionados ao reconhecimento da pessoa, assim como o layout. Com isso, os erros no cadastro dos empregados, como por exemplo, os documentos disformes, onde um sobrenome está a mais em uma única certidão, poderão barrar a entrega do arquivo inicial e dos arquivos tempestivos, impossibilitando, assim, o envio das demais informações. Outra consequência é a imputação na regra geral de punibilidade dos erros no SPED.
  2. Plano de Cargos e Salários e Tabela de Horários: Existem empresas que não possuem um Plano de Cargos e Salários e nem uma Tabela de Horários. Esses são essenciais para o gerenciamento e a vida de uma empresa. Essa falta de gestão poderá ser rapidamente apontada e identificada através de arquivos contendo horários incompatíveis com a legislação ou por um Plano de Cargos e Salários com remunerações desconexas. Além de servir como prova para possíveis ações trabalhistas, esse tipo de erro será imputado na regra geral do SPED.
  3. Atraso na entrega das informações: Grande parte das informações que transitarão no programa eSocial não pertencem aos escritórios de contabilidade e são produzidas diretamente por seus clientes no cotidiano. Informações como: admissões, demissões, férias, atrasos, faltas, justificativas, afastamentos, etc. O eSocial não muda e nem solidifica as regras oriundas da CLT; apenas as faz cumprir. Sendo assim, a cultura operacional das empresas para com a rotina trabalhista ainda é incapaz de atender aos prazos da legislação promulgada em 1943. Processar admissões retroativas, falta de dados e documentação relacionada à Segurança do Trabalho e outros problemas são comuns na maioria das empresas de contabilidade do Brasil. Com prazos apertados e com esses problemas já citados, será impossível operar o eSocial.

FONTE: http://portal.esocial.gov.br/institucional/conheca-o.

 

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Criptomoeda – Bitcoins

Quem acompanha o mercado financeiro, já viu a ascensão da criptomoeda. Mas o que realmente é isso e como é possível tirar proveito desse novo recurso monetário?

Criptomoeda é uma moeda virtual que utiliza a criptografia para garantir segurança em transações financeiras na internet. Assim como a moeda tradicional, a criptomoeda possui números de série, listras ocultas, marca d´água e outros dispositivos de segurança. A criptomoeda utiliza criptografia, ou seja, códigos difíceis de quebrar.

A criptomoeda é um código virtual que pode ser convertido em valores reais. Sua negociação é feita pela internet, caracterizada pela ausência de um sistema monetário regulamentado e da submissão a uma autoridade financeira (por exemplo, o Banco Central do Brasil). Por este motivo, as taxas são menores e você consegue realizar transações em qualquer país.

As criptomoedas servem para comprar bens e serviços na internet. As transações podem ser feitas para qualquer pessoa que esteja em qualquer lugar do mundo, sem que exista limite mínimo ou máximo de valor. Atualmente, diversas empresas já aceitam a moeda virtual como forma de pagamento.

Existem diversos tipos de moedas virtuais. Atualmente, o bitcoin é a mais conhecida. Criada há mais de nove anos, ela vem atraindo a atenção de investidores e já é aceita como meio de pagamento em alguns países.

A moeda nasce de um processo chamado de “mineração”. Seu real desenvolvedor é um grande mistério, apenas seu nome é conhecido, “Satoshi Nakamoto”. Porém, até hoje, nunca teve sua identidade comprovada.

Existem três formas de se obter bitcoins: comprar, receber ou minerar.

  • Comprar: Para comprar bitcoin no Brasil, existem sites de venda. Onde você compra a moeda por meio de transferência bancária ou depósito. Um exemplo desse tipo de empresa é o Mercado Bitcoin, empresa essa, especializada em venda da moeda;
  • Receber: Milhares de pessoas e lojas por todo o mundo já aceitam bitcoins como forma de pagamento barata, rápida e segura;
  • Mineirar: os internautas conectados em seus computadores à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda.  O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140. Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda.

No último mês o mercado financeiro mundial entrou em polvorosa com o disparo do valor do bitcoin, que no início do mês de Dezembro estava sendo comercializada acima de US$ 15 mil depois de bater quase US$ 17 mil, novo recorde histórico, registrando alta de mais de 70% em uma semana.

No início de 2017, a cotação era de US$ 1 mil, ou seja, a moeda digital chegou a atingir um pico de ganhos acumulados de 1700% em um ano. Hoje, seu valor total de mercado é de mais de US$ 250 bilhões, uma capitalização acima de muitas gigantes multinacionais.

O interesse dos investidores cresceu ainda mais depois que a Bolsa de Chicago, CME, passou a transacionar bitcoins como commodities, assim como o ouro. A outra bolsa de Chicago, Cboe, também realiza a transação sob o símbolo “XBT”. Outras bolsas mundo afora também estudam lançar seus produtos. É um marco importante, já que coloca a moeda virtual na mesma categoria dos metais preciosos e o bitcoin passa a ser percebida como um ativo alternativo para armazenar valor.

 

FONTES: https://exame.abril.com.br/mercados/entenda-o-que-e-bitcoin/; https://www.mercadobitcoin.com.br/

Marco Antonio PereiraporMarco Antonio Pereira

Orçamento: Palavra de ordem

Apesar do momento exigir controles mais rigorosos sobre os gastos, não é o que se vê habitualmente. Deveria ser uma rotina nas pequenas e médias empresas. Infelizmente, a cultura do empresário brasileiro não é a de adotar controles que permitam o governo seguro de suas empresas.

Inúmeros gastos são realizados sem necessidade, assim como muitos outros existem sem razão de ser. A falta de controle chega a tal ponto que informações básicas do tipo: fluxo de caixa, controles de contas a receber e a pagar, controles de estoques, não existem. É como pilotar um avião sem instrumentos. Facilmente pode-se perceber onde isso vai dar.

Uma gestão eficaz pode ser medida a partir da obtenção de respostas prontas para as seguintes perguntas: Você conhece todos os custos e despesas de sua empresa? Será que existem custos escondidos? Você tem domínio dos resultados do seu negócio? Você conhece sua empresa?

As empresas não têm domínio sobre seus números, sobre seus resultados e fundamentalmente sobre custos invisíveis.

Mas a pergunta mais importante é: Porque continuar assim e não iniciar já um processo de mudança?

Pois bem! Existem saídas. Normalmente pouco onerosas e nada complexas. Porque não começar revendo seus processos. Iniciar imediatamente a implantação de controles que possam garantir informações confiáveis, tempestivas e continuadas capazes de possibilitar o governo e o controle absoluto do negócio.

Nessa edição, a sugestão será a adoção do Orçamento Base Zero (OBZ).  Essa técnica visa auxiliar gestores no momento de decidir em que áreas a empresa tem gorduras para cortar. A ferramenta propõe uma análise minuciosa das prioridades estratégicas do negócio. Além disso, a premissa é que essa análise seja feita de baixo para cima, ou seja, partindo, literalmente, da missão e dos valores da empresa a partir da definição de um limiar considerando custo mínimo que uma empresa precisa para operar.

Em uma empresa algumas despesas são mais importantes do que outras. A ferramenta ajuda a identificar e analisar com clareza essas despesas com base na estratégia do negócio. O ponto forte é não trabalhar com médias passadas e sim, com valores racionais projetados para o futuro a partir de um momento zero, ou seja, base zero.

Inicia-se de um período base realizado projetando o futuro com números realistas ajustados às necessidades da empresa. Considera-se o volume de vendas como norteador de todos os gastos da empresa. Em outras palavras, a empresa deve estar subordinada aos volumes de mercado. Isso implica que todos os gastos deverão se encaixar abaixo desse teto.

Uma vez criado os cenários econômicos e financeiros do negócio, parte-se para execução, onde todos os esforços serão na direção do cumprimento do que foi planejado no orçamento base zero. A cada período concluído, faz-se o monitoramento do que foi orçado com o que foi realizado, apontando as justificativas paras os desvios avaliando se foi por implicações de variação de preço ou volume, sempre na tentativa de trazer os números o mais próximo possível o orçamento.

Em linha gerais, a adoção dessa ferramenta dará controles mais eficazes e projeções mais seguras. Você terá momentos melhores.

 

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Receita Federal altera normas do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas

Em função da edição de novas leis e de atos normativos sobre a matéria, fez-se necessário atualizar a legislação unificando as regras e orientando o contribuinte com relação à interpretação que vem sendo adotada pelo Fisco.

Foi publicada, no Diário Oficial da União de hoje, a Instrução Normativa RFB nº 1.756 de 2017, que dispõe sobre normas gerais de tributação relativas ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF).

Tendo em vista a edição de novas leis, bem como de alguns atos normativos da Receita Federal, a Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 2014, foi alterada objetivando unificar a legislação sobre o imposto e orientar o contribuinte com relação à interpretação que vem sendo adotada pelo Fisco.

Entre as principais modificações, destacam-se:

1.        no caso de guarda compartilhada, cada filho pode ser considerado como dependente de apenas um dos pais, tendo em vista as modificações do Código Civil;

2.         em relação a alguns benefícios fiscais que tiveram seus prazos prorrogados, estabelece-se o prazo para a dedução do imposto:

2.1.        valores despendidos a título de patrocínio ou de doação, no apoio direto a projetos desportivos e paradesportivos: até o ano-calendário de 2022;

2.2.        valores correspondentes às doações e aos patrocínios diretamente  prol de ações e serviços no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa Com Deficiência (Pronas/PCD): até o ano-calendário de 2020;

2.3.        quantias referentes a investimentos e a patrocínios feitos na produção de obras audiovisuais cinematográficas aprovadas pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), bem como na aquisição de cotas dos Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcines): até o ano-calendário de 2017;

3.        o fato de que a bolsa concedida pelas Instituições Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) para realização de atividades conjuntas de pesquisa científica e tecnológica e desenvolvimento de tecnologia, produto, serviço ou processo, caracteriza-se como doação, não configura vínculo empregatício, não caracteriza contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, razão pela qual estaria isenta do imposto sobre a renda;

4.        o esclarecimento de que as pessoas físicas que aderiram ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) devem informar na Declaração de Ajuste Anual (DAA) os bens e direitos de qualquer natureza constantes da declaração única de adesão ao referido regime de regularização;

5.        da mesma forma, com a reabertura do prazo de adesão ao RERCT por 120 dias, a legislação criou a obrigação de incluir os bens ou direitos de qualquer natureza regularizados, obtidos a partir de 1º de julho de 2016, na DAA relativa ao ano-calendário de 2016;

6.        não estão sujeitas à retenção na fonte do imposto sobre a renda as remessas destinadas ao exterior para fins educacionais, científicos ou culturais, bem como as remessas efetuadas por pessoas físicas residentes no País para cobertura de despesas médico-hospitalares com tratamento de saúde, no exterior, do remetente ou de seus dependentes;

7.        uniformiza-se o tratamento dado pela norma às pessoas com deficiência, evitando-se termos inadequados contidos no texto original;

8.        esclarece-se que só há isenção do imposto sobre a renda em relação aos rendimentos decorrentes de auxílio-doença, que possui natureza previdenciária, não havendo isenção para os rendimentos decorrentes de licença para tratamento de saúde, por ter natureza salarial;

9.        muito embora haja previsão legal apenas para a isenção do imposto em relação às indenizações em virtude de desapropriação para fins da reforma agrária, estão dispensados da retenção do imposto na fonte e da tributação na DAA as verbas auferidas a título de indenização advinda por desapropriação, seja por utilidade pública ou por interesse social, tendo em vista que a matéria consta da lista de dispensa de contestar e recorrer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN);

10.        no caso de descumprimento das condições necessárias para que possa haver isenção do ganho de capital do contribuinte residente no País que alienou imóvel residencial, mas que no prazo de 180 dias aplicou o produto da venda na aquisição de outro imóvel residencial localizado no País, torna-se mais claro o valor dos juros de mora e da multa a serem aplicados;

11.        possibilidade de se reconhecer a isenção do ganho de capital auferido na alienação do único imóvel de até R$ 440.000,00, na hipótese de o bem ter sido adquirido por cônjuges casados obrigatoriamente sob o regime de separação de bens, esclarecendo que os requisitos devem ser verificados individualmente, por cônjuge, observada a parcela que couber a cada um;

12.        retificação do entendimento da Receita Federal, informando-se que estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante a utilização das tabelas progressivas, a título de antecipação as multas pagas por pessoa física em virtude de infração a cláusula de contrato, sem gerar, porém, sua rescisão (nos casos de rescisão contratual, também há a retenção a título de antecipação, mas com alíquota de 15%);

13.        abarca-se situação em que houve, na tributação de Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), a dedução de uma despesa que se mostrou indevida no futuro, sendo que na hipótese de devolução desse valor, haverá tributação do imposto sobre a renda, mas essa tributação dar-se-á, também, na sistemática dos RRA;

14.         atualiza-se a lista de dispensa de retenção do imposto e da tributação na DAA para os casos tratados por atos declaratórios emitidos pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional:

14.1.        verbas recebidas a título de dano moral;

14.2.        valores recebidos a título de aposentadoria, reforma ou pensão, quando o beneficiário for portador do gênero patológico “cegueira”, mesmo que monocular;

14.3.        proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por pessoa física com moléstia grave, independentemente da comprovação da contemporaneidade dos sintomas ou da recidiva da enfermidade;

15.        o conceito dos juros de mora decorrentes do recebimento de verbas trabalhistas estão dispensados da retenção do imposto e da tributação na DAA, mas devem ser interpretados no contexto da perda de emprego, não se destinando à extinção do contrato de trabalho decorrente de pedidos de demissão por iniciativa unilateral do empregado;

16.        acrescenta-se novo artigo para informar que nos casos de redução de débitos inscritos em Dívida Ativa da União (DAU) e de débitos objetos de pedido de parcelamento deferido será admitida a retificação da declaração somente após autorização administrativa, desde que haja prova inequívoca do erro no preenchimento da declaração. Os débitos já inscritos em DAU, por gozarem de presunção de liquidez e certeza, e os débitos objeto de parcelamento, por serem decorrentes de confissão irrevogável e irretratável, não poderiam ter seus valores reduzidos, no entanto, não se pode negar a possibilidade da existência de erro de fato na declaração apresentada. Assim, permite-se a redução dos valores confessados na declaração após análise da Receita Federal da comprovação do erro apresentado pelo contribuinte.

17.        introduz-se no texto da norma, o entendimento da Receita Federal em decisões recentes:

17.1.        são indedutíveis as despesas médicas pagas em determinado ano-calendário quando incorridas em ano-calendário anterior e referentes a dependente tributário relacionado apenas na DAA do ano-calendário em que se deu a despesa;

17.2.        as despesas de fertilização in vitro são consideradas dedutíveis somente na DAA do paciente que recebeu o tratamento médico;

17.3.        nas hipóteses de ausência de endereço nos recibos médicos, essa falta pode ser suprida, de ofício, caso conste essa informação nos sistemas informatizados da RFB;

17.4.        as importâncias pagas, devidas aos empregados em decorrência das relações de trabalho, mesmo não integrando sua remuneração, se forem consideradas despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, podem ser deduzidas;

17.5.        nos casos em que haja convenção ou acordo de trabalho, por constituírem obrigação do empregador, as despesas neles previstas são consideradas necessárias e, portanto, dedutíveis;

17.6.        esclarece-se, ainda, que é permitido aos cartórios deduzir as despesas com a contratação de carro-forte;

17.7.        por fim, altera-se o Anexo II da Instrução Normativa de modo a introduzir tabela progressiva anual a ser considerada a partir do exercício de 2017, ano-calendário de 2016.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional RFB